domingo, 15 de janeiro de 2012

Alta Floresta inicia criação de meliponíneas como alternativa de renda


Fabio Bonadeu/Projeto Olhos D´Água da Amazônia/Prefeitura de Alta Floresta
Está sendo trabalhado em Alta Floresta o fortalecimento da agricultura familiar. Mais de 1.500 famílias estão sendo atendidas, ou seja, mais de 4.500 pessoas sendo apoiadas por iniciativas da Administração Municipal de Alta Floresta. Implantação dos SAFs, CAR e Georreferenciamento, manejo de pastagens, são algumas ações. Esses serviços são desenvolvidos pelos técnicos do Projeto Olhos D´Água da Amazônia e estão servindo de norteador das políticas públicas ambientais do município.
Também como forma de fomentar e contribuir para a consolidação desta nova metodologia de trabalho, está sendo implantada em Alta Floresta, a Meliponicultura, que é a criação das abelhas sem ferrão da Amazônia. Através do trabalho com os meliponíneos (nome científico da espécie), os proprietários rurais terão a possibilidade de incrementar sua renda, sem contar que esta espécie de abelha tem alto poder de polinização.
A chácara Esteio, de propriedade do senhor Ércio Luedke, está sendo o berço dos meliponíneos em Alta Floresta. Ele explica que este trabalho servirá para abrir novas oportunidades econômicas. “Com este trabalho vou ampliar a diversificação das atividades da minha propriedade. Essa atividade pode ser um diferencial. Estou dando minha contribuição para Alta Floresta”, explica.
Para o produtor, a implantação da meliponicultura servirá também como ferramenta social no combate ao êxodo rural. “Esta é uma oportunidade para o fortalecimento das famílias. Todos da casa podem ajudar”. Hoje o produtor tem como principais atividades a fruticultura, piscicultura, gado de leite, suinocultura e avicultura, mas acredita no potencial desta nova criação. “Estou iniciando esta atividade. No futuro espero que esta seja uma das principais fontes de renda”, exemplifica o produtor visivelmente empolgado.
“O cultivo das abelhas sem ferrão da Amazônia embora ainda seja uma atividade embrionária em Alta Floresta, possui características que já lhe credenciam. Seu mel tem consistência e fluidez muito características, que chega a ser ralo, lembrando os licores. Outra peculiaridade é que as meliponíneos adicionam enzimas salivares, que dão um toque de acidez ao mel, suavizando o seu sabor”, argumenta o Gestor do Programa de Meliponicultura Vale do Teles Pires, Fernando Oliveira.
Além das características já citadas acima, as abelhas também apresentam outro fator. “As abelhas sem ferrão desidratam menos. O que deixa mais unido o mel, ou seja, o perfume da flor não volatiliza. Ele não dispersa, com isso torna-se um mel muito saboroso para beber”. Oliveira já trabalha com a espécie há vários anos na região amazônica.
Assim como o senhor Ércio, Fernando também se mostra muito otimista com o projeto que está sendo desenvolvido em parceria com a Administração Municipal. “Será um grande desafio. Hoje contamos com 10 colméias matrizes. Ao final de 24 meses queremos multiplicar em 250. A cada ano estaríamos gerando 500 novas colméias para subsidiar a produção de mel proveniente do meliponário matriz”.
A implantação do cultivo das abelhas sem ferrão em Alta Floresta tem dois objetivos principais: manutenção da floresta que está sendo replantada e oferecer esta nova possibilidade de acrescentar renda aos produtores rurais, através da venda do mel produzido. O sistema melipônico que está chegando a Alta Floresta é de polinização dirigida.
Vale ressaltar que as abelhas não oferecem nenhum tipo de risco. São abelhas dóceis. É possível até criar no quintal de casa. Além de produzir mel, são abelhas que realizam um “balé” espetacular. Oliveira elogia o esforço da secretária Irene Duarte. “A Irene está tratando de uma forma muito profissional este trabalho de recuperação das áreas de preservação e recuperação das APPs”.
Fernando se lembra de um fator importante. “As meliponíneos são as principais agentes polinizadores das florestas. Estudos comprovam que se você retirar todas as abelhas sem ferrão de uma área, é comprovado que 14% de espécies de árvores desapareceriam em cinco gerações. Se você trabalha com reflorestamento e não se preocupa com a polinização, significa que as árvores irão crescer, entretanto, em um determinado momento elas irão morrer pelo fato de não ter este trabalho de polinização”.
A secretária de Meio Ambiente, Irene Duarte agradece o envolvimento de todos neste processo de preservação dos recursos naturais. “Conseguimos realizar uma força tarefa em Alta Floresta. Com este trabalho está sendo possível mobilizar a agricultura familiar. Nós escrevemos este projeto para auxiliar os pequenos produtores, para que assim, podessemos caminhar rumo ao desenvolvimento sustentável”.
Esta nova alternativa vem para fortalecer o desenvolvimento econômico, ambiental e social. “Vamos trabalhar para consolidar esta nova alternativa de renda. Trabalhamos diariamente no sentido de transformar Alta Floresta em um município verde”, conforme já citado anteriormente, com a conquista deste “selo” de município verde, Alta Floresta terá maior segurança jurídica, credibilidade e acesso as linhas de crédito.
Irene comenta a relevância da meliponicultura. “Este trabalho vem dentro do fortalecimento das cadeias produtivas. Estamos em uma fase de transição da economia. De um modelo de desmatamento para uma economia sustentável. É possível viver na Amazônia de uma forma inteligente. Esta ação é uma conseqüência deste trabalho de fortalecimento das cadeias produtivas, em especial do mel”.

Um comentário:

  1. Amigo José,
    bela postagem!

    Com certeza,com iniciativas como essa;a meliponicultura nacional,poderá sonhar com dias melhores...

    Esperamos que esses exemplos se espalhem por diversas partes desse nosso país,pois a natureza e as abelhas nativas só teem a ganhar.

    Abraço.
    Paulo Romero.
    Meliponário Braz.

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